Uma casa no campo, sombra e água fresca…

26/04/2011

Um teto para se morar. Um telhadinho para guardar seus amores e seus desejos. Um punhado de verde para se encher os olhos. Um respiro de ar fresco para limpar as vias aéreas. Uma sombra gostosa para dividir com os insetos. Uma casa no campo, com sombra e água fresca.

🙂

A CONTRY HOUSE, SOME SHADOW AND FRESH WATER…
A ceiling to live in. A little roof to keep loves and wishes. A handful of green to feast the eyes. A breath of fresh air to clean the airways. A nice and cozy shadow to share with the insects. A country house, some shadow and fresh water.

Trio no frio

07/04/2011

Eram três, provavelmente irmãs. A mais velha, aparentava 12, mas devia ter 14. Era mirrada, realmente. A do meio, chuto uns 10. E a menorzinha, criança de fato, lá pelos 8. Em fração de segundos passei por elas, extasiadas com uma vitrine, e voei longe.

Minhas pernas seguiram caminhando o ritmo apressado de quem saiu tarde do trabalho, mas a mente viajou. Fui até a periferia onde elas moram. Um barraco improvisado, ou um casebre de tijolos aparentes, talvez? As roupas cinzas e sujas, que volta e meia são lavadas e penduradas num cordão de arame, desbotaram pelo uso. Um cachorro pulguento latindo nos fundos. Um bebê chorando de fome. Talvez um pai presente? Talvez uma mãe? Talvez desempregados, talvez lançados à sorte de seu próprio azar… quem sabe?

O extase da pequena, diante da blusinha da moda de R$ 14,00, com o dedo em riste. Um único dedo separando o sonho genuíno de uma criança. O dedo que me fez pensar: “Que cena fortíssima, um clássico do cinema, da literatura, do teatro, da arte…”. Um dedo em riste… Que quisera eu, fosse obra de uma crônica apenas, e não da realidade.

:l

THREE IN THE COLD
They were probably three sisters. The oldest one, looking like 12 years old, but should have 14. She was really skinny. The middle one, probably 10 years old. And the youngest, a true child, looking like 8 years old. In a second I passed through them, looking amazed by a shop window, and then I started daydreaming. My legs, continuously walking the pace of whom made too much extra work, but my mind, was travelling. In a question of seconds, I went to the suburbs where they lived. A makeshift shack, or maybe a shed with bricks exposed? The dirty and gray clothes, who now and then are washed and hung on a thread of wire, faded from use. A flea-bitten dog barking in the back. A baby crying from hunger. Maybe a parent present? Perhaps a mother? Maybe unemployed, perhaps thrown the fate of their own bad luck … who knows? The ecstasy of the little one, admiring some fashionable cheap blouse, pointed the piece with her finger. A single finger separating the genuine dream of a child. The finger that got me thinking: “What a very strong scene, a classic from cinema, literature, theater, art …”. One finger pointing in the air … I wish it were only a chronic, rather than reality.